22 de fevereiro de 2011

fica pra próxima.


'eu nunca mais te vi por aqui , disse a doce menina.'
Lorrânia Viana.

É completamente diferente estar do outro lado da rua. Soltei quietinha sua mão e me aventurei a atravessar o trafego intenso enquanto você estava ocupado demais para sentir minha presença.
Se fosse como de costume um medo absurdo subiria entre minhas pernas e me paralisaria antes mesmo do primeiro passo, os pensamentos libertinos não serviriam absolutamente para nada, se fosse como antigamente eu nem – hipoteticamente - pensaria em andar sozinha, não.
Os corações mais chegados e íntimos sempre me perguntam se anda tudo bem, em ordem, em paz, e eu com toda minha serenidade respondo a mais pura verdade dizendo que sim, tudo anda nos conformes. Sabe, acho que estou certa, acho que nunca me deleitei em uma calmaria tão profunda, em um amor tão único, tão maternal, eu jamais vou me esquecer disso.
Uma parte de mim sente falta dos carinhos, do toque, do sexo gostoso, do sorriso fácil, eu não sou tão maldita quanto pareço, ainda não. Não me venha com convites medíocres, olhares ingênuos ou até mesmo com o seu charme incrédulo, eu simplesmente atravessei a rua entende?!
A vista daqui deste lado é branda e pura, o meu coração aqui bate mais pausadamente, os meus pensamentos deixaram de ser tão sórdidos e mesquinhos. Ah, mais uma coisa, obrigada pela presteza e pela oportunidade de amar, não você, mas o que criamos.

Beijos,

L.

14 de fevereiro de 2011

ponte.


'O celular tocou, ele disse: alô?!,
ela sabia que era ele e sorriu como antigamente.'
Lorrânia Viana.

Estou contando às vezes que a luz do meu celular acende e aparece seu numero no visor. Não estou nem ai, eu acho. Meu peito esta ardendo e minha garganta queima sem ao menos eu beber os velhos destilados. Eu odeio amar você, de verdade.
Preciso escutar Norah Jones, é, necessito da voz suave e do som meio blues, que calmante salvador. Enquanto ela me encanta com as palavras suaves, você me afasta com a indiferença e a infantilidade de sempre.
Sabe, eu sei que amanhã você vai fingir estar tudo bem, eu provavelmente vou ficar sufocada e insatisfeita com tudo que você fizer, eu sei que amanhã vai ser como de costume, você bem e eu farta.
Olha menino, não quero me perder nos detalhes e na insensatez que o seu sangue já me assolou, a sua laia eu já conheço de cor, conheço sim. Meu deus, a Norah continua seus versos e todo o mundo corre rápido na minha cabeça, indolor, nostálgico e mágico.
Hoje a dor que você me causa não chega nem perto da vontade de suicídio que me instigou há meses atrás, eu amo você, você sabe disso, mas você sabe também que o cara passou e ninguém vai ser igual ele, nunca.
Vou procurar algum filme na TV, colocar no microondas a lasanha que tanto gosto e esperar...até que o alarme toque e me desperte deste sono profundo.

2 de fevereiro de 2011

reprise.



Vou me encantando, surpreendendo, continuo me divertindo. ‘Um dia de cada vez’ uma grande mulher me disse, sendo assim resolvi acatar.
Alguém lá em cima deve ter um grande apreço pela pequena aqui, afinal sou feita de ironia, amizades deliciosas e uma boa gelada de guerra. Sarcasmo a parte, o momento anda bom, sem mais nem menos, tudo esta em seu devido lugar.
Ufa.
As dores cessaram, as lembranças honram seu nome e a saudade não existe mais, finalmente.
O sorriso frouxo é rotineiro, a voz é infantil, acho que tenho dom para artes cênicas. As palavras gritam incessantemente para sair, espere, não tenha pressa, cada coisa em seu devido tempo.
O tempo não me aflige mais, na real, sinto quando os minutos passam se estou em uma boa compania, e graças ao Cara, ultimamente nosso bonde é satisfatório. Nada de lamento, aqui reina a simplicidade. Um par de chinelos, uma boa música e muita diversão, sempre.
 
Ps. é um texto antigo, mas o momento se repete.

14 de janeiro de 2011

demência.



'Ando esquecendo a porta aberta,
fecha menina, vai que algum estranho entra'
Lorrânia Viana.

Não me espere, porque eu não vou te esperar.
Não me engane, porque assim eu posso te enganar.
Não me deixe pra que não possa te deixar.
Só me ame. 
Talvez assim eu possa te amar.

12 de janeiro de 2011

nota.




Sabe guri, eu nao menti para voce, eu apenas fiquei com medo do desconhecido.

Eu quis te dar a mao, brincar com seu cabelo engracado, eu gostei quando voce me perguntou quem eu gostaria de ser. Mas sabe, eu acho que eu quero ser a do blog mesmo, sem grandes pretensoes e paixoes, ainda quero ser a melhor das tres que voce conseguiu diferenciar.
Olha guri, do jeito que voce me demonstrou ser acho que nada ai mudou, a estante ainda esta no mesmo lugar, os pratos, o coracao, o jeito gostoso de viver a musica. Nao foi um mal e nem uma solucao.
A minha cara ainda esta aqui, os meus olhos pseudo-puxados ainda te encantam, a sua mania besta em perguntar uma musica qualquer me irrita, guri estranho, eu sei que um dia eu te encontro, encontro sim.

Minha mente, minha prisão.

Minhas palavras, meu mundo.