7 de novembro de 2010

me guia.



Sinto como se meu coração fosse saltar por minha boca. Os meus braços já não conseguem levantar nem o desenho infantil que um dia você fez para mim. Eu pensei que as estações me trariam a paz que tanto almejo, pelo visto minhas concepções de quietude alteraram.
Eu só penso em olhar nos seus olhos e sentir o gosto dos olhinhos apertados, só quero sorrir contigo ao vivenciar o silêncio que paira sobre nós, eu só penso no dia que vou te ver mais uma vez.
Engano a insônia com boas doses de álcool e inconseqüência, canto as mais divertidas músicas tipicamente deprimentes, levanto os copos em sua memória – como se lamentasse seu sétimo dia. Já se foram cinco meses vividos, intensos, sóbrios, preciso de muitas palavras para descrever, na verdade preciso de você.
Queria poder ser essa fortaleza que você sempre foi comigo, nos dias em que nós dois cambaleamos você arranjou forças da onde não tinha e nos segurou. Ainda hoje lendo as palavras que aos poucos surgem na tela do computador, me deparo com um amor imensurável, com uma saudade que rasga meu peito, nada mudou, tudo realmente mudou.
As lágrimas congestionam na garganta que sente vontade de te dizer que ainda estou aqui, ainda sou sua, de gritar que ainda podemos, mas você já esta longe demais e seus ouvidos estão fechados.
O que eu posso fazer agora é ir pra debaixo do chuveiro, sentir a água gelada no meu corpo cansado e esperar que tudo se resolva.

19 de outubro de 2010

interior.




'Às vezes é preciso levar os olhos para dentro do escuro
e ter coragem de acendê-los.
Ver é a primeira bênção na direção do desaperto'

[Ana Jácomo]
Eu te amo tanto que não te amo mais.
Eu prefiro fingir que não te amo para ver se dói menos.
Prefiro fingir que seu sorriso não me basta para sorrir.
Prefiro fechar os olhos ao ver estes olhinhos apertados que tanto sinto saudade.
Eu prefiro fingir que você é passado para ver se consigo refazer o meu presente.
Prefiro pedir que não chegue perto para não me acostumar novamente com sua presença.
Prefiro fingir que estou com alguém só para ver se você ainda sente ciúmes de mim.
Eu prefiro fingir que sou sua amiga ao invés de viver totalmente sem sua presença.
Prefiro rezar todas as noites para nada do que viver tudo no vazio.
Eu odeio te amar tanto e ver que você não me ama mais.
Eu te amo tanto que hoje você já foi embora.
Eu te amo tanto que não te amo mais.


L.

14 de setembro de 2010

não mais outono.



Ensaio diariamente a música que você fez para mim, neste meu violão pueril recordo o som folk do seu instrumento que tanto gostava. As batidas da guitarra que você tocava tão bem libertam minhas dores, a seqüência perfeita da bateria me ensinou a controlar as batidas do meu coração.
Eu tento assimilar que tipo de sentimento é este aqui dentro, fora, por inteiro, você me consome por completo e ainda vivo por mim?! Que droga é essa que você me fez tomar?! Os pensamentos rodeiam lugares desconhecidos e dorme em você, acordam em sua boca, me deito no seu peito desenhado todas as noites.
O vento fresco finalmente percorre meu pescoço delicadamente, a minha vontade louca de te abraçar e dizer nada é imensa, mas ao mesmo tempo em que ela aparece, puf....cadê? É indecifrável, indescritível, eu nunca senti isso antes. Não me destrói, me empurra com uma força abrupta contra os meus medos e não dói, pelo ao contrário, me faz sorrir a cada amanhecer.

Obrigada você que apareceu nos meus dias, você que constantemente me obriga a ser menos insana, obrigada.
Agora posso começar o espetáculo.

Sejam todos bem vindos.

13 de setembro de 2010

no fear.


Poucas coisas me fazem caminhar segura, nada me tira o sorriso caricato, a vontade do passado, eu me acostumei à insanidade. Minhas crenças não precisam ser expostas, meus medos continuam sendo medos, eu só quero o bem, só isso.
Tudo me indaga e me fascina. 
Quero sempre uma boa roda de amigos (não muitos por gentileza) desejo um abraço sincero, o meu par de chinelos no pé e uma mão protetora. O resto eu me viro, como sempre fiz.



2 de setembro de 2010

de que lado você esta?



De um lado para outro me enroscando no lençol levemente rosado com seus detalhes floridos, a consciência desperta sabendo que preciso abrir os olhos e encarar mais um sol, um delicioso sol. Pego meu travesseiro já desgastado com as viagens insanas que passou, coloco sobre minha cabeça desejando mais cinco minutos desligada, mas não, o caos lá fora me grita.
Por frações de segundo tudo vem, meu deus, os vinte e um verões passam entre minhas pupilas mostrando cada amor, cada queda, choro, amizade, todos.  Ainda insisto em permanecer deitada, imóvel, a TV posta em cima da sapateira liga sintonizada no Jornal da Manhã, o som irritante do meu despertador ao fundo me obriga a levantar, pronto.
Banho. Água quente. Chaves. Coragem. 

Você.

Dirigindo em direção ao nada lutando contra o meu primeiro pensamento do dia, não preciso nem semicerrar os cílios para respirar a saudade. Passando pela praça que tantas vezes cruzamos me pego sorrindo e agradecendo por cada momento, eu sei que daqui a pouco tudo isso partirá, deixando o desconhecido e a alma leve. Sei que daqui a pouco vou me assentar perante bons abraços amigos, sorrisos silenciosos, vou me derramar no meu amor.
O carro em frente é apenas um das dezenas que engarrafam uma das avenidas principais desta metrópole, já não ligo pro atraso, não me amedronta a cara desgastada pelo estresse do meu chefe, só me importo quando cedo, apenas.
Troco incessantemente as fm’s que meu rádio barato sintoniza, cada palavra dita, cantada, gritada me recorda a sua paixão pela música, as letras que foram escritas para mim, as vezes que você tocou esperando apenas meu sorriso.
O carro atrás buzina freneticamente para que eu avance. Você ainda mexe comigo. Olho pro relógio e sei que o dia será longo, mas hoje será diferente, sem você, sem a dor habitual. A falta de ar mudou o motivo, estaciono em frente à fachada já conhecida e sei que tudo vai ficar bem.

Vai sim.

L. 

Minha mente, minha prisão.

Minhas palavras, meu mundo.